sexta-feira, abril 08, 2005

O meu nome é Joseph Diêbo nascido na base das Lajes porque foi lá que o avião parou.
O meu sonho? Quando fôr grande? Pegar na harmónica e ir para os Estados Unidos quando tiver dinheiro. Por enquanto vivo na Praia da Vitória, na Ilha Terceira, a ver os aviões militares descolarem para os Estados Unidos. A Terra dos Sonhos. A Terra do Blues. É para lá que eu quero ir. Quero tomar banho nas águas profundas do Mississipi: o Grande Rio.
Até lá faço biscates e aprendo a gostar de uisque, sem gelo.

quarta-feira, abril 06, 2005

Crónicas do Diêbo - Helder Wasterlain

Quase todos os dias uma crónica nova sobre o Diêbo.

domingo, março 27, 2005

T-Model Ford esteve por cá...


Blues’ em estado selvagem

T-Model Ford é um dos nomes mais sonantes do blues actual. Com cerca de 85 anos,
o bluesman que é pai de quase trinta filhos, foi mais um achado da Fat Possum Records..
De nome real James Lewis Carter, T-Model Ford é tão efusivo quanto a idade ainda permite, e na conversa de quase uma hora, existiram dois temas recorrentes: a sua paixão por mulheres e o facto de ser “the boss of the blues”. T-Model Ford foi o nome mais emblemático do cartaz da terceira edição do Coimbra em Blues, o Festival Internacional de Blues de Coimbra, que se realizou nos dias 17, 18 e 19.


Quem é então T-Model Ford?
Sou o maior bluesman. O “boss do blues”. Muita gente não sabe, mas o meu nome real é James Lewis Cárter. T-Model Ford foi o nome que um branco me deu há uns anos e é assim eu todos me conhecem. Nasci e foi criado em Forrest, no Mississippi. Nunca fui à escola um único dia na minha vida. Não sei ler, nem escrever, mas sei assinar quando chegam os cheques. Dizem que tenho 84 anos, mas nem sei bem. Mas ainda não desisti, ainda estou forte.

Porque razão começou a tocar blues tão tarde na sua vida?
Um dia tive uma mulher que estava sempre a sair de casa. Não sei porquê, mas estava sempre a fugir de casa e a levar os nossos filhos. Sempre que saía eu ia buscá-la. Um dia, tinha eu quase 60 anos, comprou-me uma guitarra e um amplificador. Ainda lhe perguntei porque razão andava a gastar o meu dinheiro naquelas porcarias, porque nem sabia tocar guitarra, mas ela disse que tinha de começar a aprender então. Um dia, voltou a sair de casa e resolvi não a ir buscar mais. Quando o carro ainda se estava a afastar voltei para casa e liguei o amplificador. Andei a mexer nos botões até que a guitarra começou a fazer som. Em pouco tempo comecei a tocar duas músicas. Uma do Muddy Waters e outro do Howlin’ Wolf. Um dia, enquanto estava a tocar, apareceram lá m casa duas mulheres. Uma delas estava zangada com o namorado. Acabaram por ficar lá a noite toda. Eu sabia que tocava bem, não sabia era que era mesmo tão bom.

O que se passou realmente para ter sido condenado por homicídio quando tinha 18 anos?
Bem, fui a um bar onde estava um homem mais velho. Eu era um rapaz na altura, um bom rapaz. Ele estava a beber com umas mulheres e disse-me que me pagava as bebidas. No final da noite, atacou-me por trás e cortou-me com uma faca no pescoço. Eu na altura era como um raio.e tirei do bolso a minha faca, abria-a com os dentes e cortei-o no pescoço. Ele acabou por morrer. A polícia ainda demorou dois dias a encontrar-me, e quando me prenderam nem foram preciso algemas. Eu fui para o tribunal e para a prisão sem algemas porque era um bom rapaz. Vocês tratem bem as mulheres e sejam bons rapazes como eu fui. Estive só dois anos na prisão por bom comportamento, mas passei esses dois anos de grilhetas. Ainda tenho as cicatrizes nos calcanhares.

E qual foi a mulher que mais o marcou?
Já tive cinco mulheres, e tenho quase 30 filhos, alguns com mulheres com quem nem era casado. Uma vez uma senhora branca disse-me que já tinha estado com mais de 100 mulheres. Não sei, mas já estive com mulheres brancas e tudo. A mulher de quem me vou lembrar sempre chamava-se Jessie Mae. Morreu nos meus braços. Eu não sabia, mas ela estava grávida de mim. Como era casada, queria livrar-se do bebé. Sem eu saber, tomou uns comprimidos que outra mulher lhe deu. Acabou por morrer nos meus braços, porque não quis ir ao hospital. Morreu aqui, assim [levando mas mãos ao peito].


E como começou a gravar para a Fat Possum?

O Bruce e o Matt da Fat Possum foram-me ver tocar duas vezes. Acabaram por me convencer a gravar um disco e tenho estado com eles desde então. Sou o maior bluesman e já estive em todo o mundo. E eles tratam-me muito bem. Fizeram-me ter confiança no homem branco. (excerto de entrevista realizada a T-Model Ford, em Coimbra, antes de encerrar a terceira edição do Coimbra em Blues - Festival Internacional de Blues de Coimbra)

sexta-feira, junho 25, 2004

The Black Keys lançam terceiro álbum em Setembro

O duo norte-americano The Black Keys confirmou em entrevista à Rolling Stone o que já se sabia: o seu terceiro LP, o segundo pela Fat Possum vai ser lançado em meados de Setembro. Neste artigo da Rolling Stone, os dois rapazes de Akron. Ohio partilham ainda algumas histórias sobre a série de concertos bem extensa que os levou a quase todo o lado. "That touring really kicked the shit out of us", diz a certa altura o vocalista e guitarrista Dan Auerbach. Para ler e esperar que o novo álbum traga finalmente os BK a Portugal.

quinta-feira, junho 24, 2004

Crossroads de 24 de Junho

1 - D3o - "2day"
2 - Alabama 3 - Woke up this morning"
3 - Bob Log III - "Boob scotch"
4 - Guitar Fucker - "Wild road blues"
5 - Hasil Adkins - "Get out of my car"
6 - The Legendary Tiger Man - "Keep’em dogs on it"
7 - Kenny Brown - "Goin' down south"
8 - Bunnyranch - ""(I'm not going) down south"
9 - Led Zeppelin - "Travellin' riverside blues"
10 - Charles Caldwell - "I got something to tell you"
11 - Robert Cage - "Get out of here"
12 - The Black Keys - "I cry alone"
13 - Leadbelly - "Where did you sleep last night"
14 - John Lee Hooker - "Untitled slow blues"
15 - Wynonie Harris - "In the evenin' blues"

terça-feira, junho 22, 2004

Charles Caldwell, para relembrar sempre...

“Remember Me” é o mais recente álbum lançado pela Fat Possum Records, editora independente sediada no Mississipi que, desde há alguns anos a esta parte, tem descoberto nos cantos recônditos desse Estado “bluesmen” que mereciam ser ouvidos há largas décadas.
Este é o caso de Junior Kimbrough, considerado por muitos o melhor “bluesman” da segunda metade do século XX, que obrigou figuras como os Sonic Youth, os U2 ou os Rolling Stones a deslocarem-se até à sua “juke joint” com o único propósito de o verem actuar ao vivo. Outro exemplo é o de R.L Burnside, entregue também à obscuridade até começar a gravar para a editora em 1994. Junior faleceu em 1998 e Burnside, devido à idade, tem estado arredado dos concertos.
Entre vários “bluesmen”, estes eram os dois principais nomes da Fat Possum que, pelas razões mencionadas, necessitava agora de outro artista do mesmo calibre para gravar novos álbuns e dar concertos extensivamente (a esse respeito, Mathew Johnson, da Fat Possum, refere neste disco que “há dez ou 12 anos atrás, podia-se ir a uma cidade de 800 pessoas e encontrar pelo menos três velhotes que soubessem tocar guitarra. Agora é muito difícil encontrar alguém que toque sequer”).
Após largos meses de pesquisa pelo Mississipi, Johnson encontrou finalmente Charles Caldwell, que até aí tinha tocado apenas em festas, onde o seu pagamento era feito em bebida durante toda a noite. Essas noites foram pródigas em episódios bizarros para o bluesma: uma vez passou em imagens do noticiário da noite, para espanto da sua mulher. Noutra acordou numa cidade onde nunca tinha estado, com um novo fato, que aidna guardava. Encontrar este artista levantou as esperanças da editora. Afinal, o “bluesman” era um pródigo intérprete do blues do North Hill Country, no Mississipi, um estilo onde o que importa é mesmo o sentimento, e não as afinações ou a perfeição técnica.
Durante a gravação do disco, Caldwell soube que tinha cancro. Para o ajudar a suportar as dores que sentia, dedicava as noites a tocar no estúdio da Fat Possum, até que estivesse cansado o suficiente para conseguir dormir. Caldwell acabaria por falecer em Setembro de 2003. Para a posteridade deixou este álbum, o seu canto do cisne, cru como só o verdadeiro blues o é. Mas deixou também a certeza de que alguém se vai lembrar dele. Caldwell, que Johnson considerava “the next big thing”, é de fazer Clapton e congéneres borrarem-se de vergonha.

Charles Caldwell, "Remember Me", Fat Possum Records
8/10

Crossroads de 17 de Junho

Infelizmente não houve programa neste dia. A culpa é dos exames.

quinta-feira, junho 10, 2004

Crossroads de 10 de Junho

1 - Paul Revere and The Raiders - "Baby please don't go"
2 - Blacktop - "44 blues"
3 - 20 Miles - "Talk to me"
4 - R.L. Burnside and The Jon Spencer Blues Explosion - "Snake drive"
5 - The Jon Spencer Blues Explosion - "Blue green olga (remix)"
6 - The Greenhornes - "It's my soul"
7 - The Black Keys - "Hold me in your arms"
8 - Muddy Waters - "Deep down in florida #2"
9 - The Wray Gunn - "Don't you know"
10 - Mississippi Mass Choir - "God's tryin' to tell you something"
11 - Jimmy Reed - "Ain't got you"
12 - Little Willie John - "Fever"
13 - T-Model Ford - "Sallie mae"
14 - John Lee Hooker - "Jack o' diamonds"
15 - Son House - "Grinnin in your face"
16 - Back Porch Blues - "Grinnin' in your face"
17 - Asie Payton - "Back to the bridge"